Executive Briefing da IDG sobre Terceirização

11 novembro 2008

No Brasil, apesar da adesão ao outsourcing de TI já estar consolidada, a evolução rumo ao multisourcing ainda está em andamento. Empresas como Natura, Cia. Vale do Rio Doce e Orbitall (veja quadro) já fazem na prática o que o conceito sugere na teoria. Na avaliação local do Gartner, setores como os de manufatura , varejo e serviços estão na dianteira, visto que a gestão e o desenvolvimento de fornecedores já são aplicativos dia-a-dia dessas empresas. Por outro lado, o mercado financeiro, conservador por natureza, só adota a terceirização de forma intensa nas redes de telecomunicações, data Center e contingência. O desenvolvimento de aplicações, por exemplo, nunca é o alvo de outsourcing de um banco. Para Carlos Henrique Testolini, CEO da Procwork, além do governo dos bancos, outro mercado resistente ao novo posicionamento é o setor de telecomunicações. “Eles sempre compraram por volume e estão acostumados a escolher pelo preço mais baixo. Já empresas de bens de consumo, químicas e farmacêuticas estão preparadas”, afirma o executivo. A Bosch é um dos clientes da integradora de sistemas de TI que já estão dentro de uma estrutura evoluída de terceirização. A empresa está criando um centro de suporte global, com sede no Brasil, que vai contar com profissionais próprios e da Procwork. “É uma iniciativa de peso mundial, que conta com a visão de desenvolver o parceiro”, reforça Testolini. Outra pioneira, a Orbitall também contratou a Procwork para fazer desenvolvimento de sistemas, CRM e operações de suporte que seguem todos os pré-requisitos internos da Orbitall. Nesse caso, a diferença fica por conta da proximidade entre os sites do provedor e o cliente. “Estamos em um prédio localizado exatamente em frente ao prédio do cliente, para facilitar ainda mais o processo”, revela o CEO da Procwork.

Dentro dessa reavaliação constante de fornecedores, outro cuidado a ser tomado pela empresa é a ida para outro extremo da tendência, o que o Gartner descreve como ‘outsourcing compulsivo’, ou seja, contar com tantos parceiros diferentes que a gestão e o dialogo com toda a cadeia ficam cada vez mais complicados. “Nenhum extremo é ideal quando se fala de outsourcing “, ataca o executivo, também não é sensato adotar um único terceirizador para 100% das necessidades. “Apesar de nomes como EDS e IBM fazerem isso em muitos projetos mundiais, se a empresa não contar com um fornecedor dessa envergadura, acaba ficando presa à uma única opção”, enfatiza Boralli.

Prova disso é que da base atendida hoje pela DHC, apenas cerca de 5% dos clientes contam com a empresa como provedora única de serviços de TI. “Acho que entre 30% e 40% do total já fazem uma terceirização inteligente, dividindo os parceiros por áreas de atuação”, revela o executivo. A contrapartida da DHC fica por conta da flexibilidade nos contratos, que podem ser revistos pelos clientes e comportam uma redução de até 30% dos serviços fornecidos sem causar grandes dilemas. “Hoje é loucura engessar um cliente por três anos e depois perde-lo para um concorrente com mais visão de negocio”, arremata Boralli. Definitivamente, flexibilidade é a palavra-chave do universo corporativo.

E os mais preparados para a adaptação constante já estão saindo na frente.