Crise desafia TI e Telecom em 2009
18 dezembro 2008
Driblar os efeitos da crise está entre os principais desafios do setor de Telecomunicações para 2009. As projeções para o setor nos Estados Unidos e países desenvolvidos, por exemplo, são pessimistas, com previsão de corte substancial nos investimentos. No Brasil, o setor também deve ser atingido, mas os executivos esperam encontrar uma oportunidade de negócio em meio ao colapso financeiro mundial.
O setor de Telecom tem grande participação na economia. De 2001 a 2007, a telefonia móvel, por exemplo, acumulou investimentos de R$ 54,3 bilhões com taxas de crescimento de 27% ao ano, o que permitiu atingir, em setembro de 2008, uma base de 141 milhões de clientes. Isso significa que, de cada 100 brasileiros, 73 possuem uma linha celular.
Com a crise, as operadoras tentam mostrar otimismo. Mesmo que estejam prevendo que o investimento do setor em 2009 não fique muito diferente dos últimos anos, a situação indica preocupação, com contenção de despesas e otimização de recursos. Ao mesmo tempo que falam em manter ou aumentar os investimentos no próximo ano, trabalham na revisão de seus orçamentos, afetados pela alta do dólar e pela carência de crédito.
Luiz Henrique Barbosa da Silva, economista da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp), explica que o setor de telecomunicações deve sofrer com o aumento do dólar. O executivo indica, porém, que é preciso enxergar as oportunidades diante da crise.
“O setor de Telecomunicações tem impacto direto vindo do câmbio, em função da grande quantidade de equipamentos importados. No entanto, como a crise é generalizada e este setor é dinâmico e inovador por natureza, a crise pode virar oportunidade com as empresas ofertando soluções que aumentam a produtividade das companhias (e por conseqüência da economia), reduzindo custos e gerando novas oportunidades e mais inovação”, disse Luiz Henrique.
Para Marcelo Boralli, diretor de Marketing e Novos Negócios da DHC Outsourccing, o investimento em novas tecnologias na área de Telecom pode ser afetado pela valorização do dólar, principalmente aquelas em que a fabricação de equipamentos não é local. “Em um primeiro momento pode ser afetado, em função da grande volatilidade. Mas, em um segundo momento, acreditamos que o impacto será minimizado, pois a maioria das fábricas estão localizadas fora dos EUA, impulsionando, em contrapartida, o aumento de sua competitividade em função do câmbio. O mesmo acontece com as empresas exportadoras no Brasil”, explica.
Dentro de TI e Telecom, os principais impactos se darão no primeiro trimestre de 2009, devido às incertezas da economia global, segundo Boralli. “As áreas que serão mais afetadas serão as de desenvolvimento de software, consultorias e treinamentos”, aponta. Boralli citou os principais desafios que o setor deve enfrentar: eliminação de desperdícios, melhoria dos processos (processos mais otimizados) e melhor eficiência.
Como driblar a crise
Os executivos apontam qual deve ser o pensamento do setor em termos de rentabilidade, em circunstâncias que não são favoráveis ao lucro e ao crescimento, como no atual cenário. Mostram também como o setor de TI está se preparando para driblar a crise em 2009 e se há alguma oportunidade de novos negócios que pode ser vislumbrada.
Luiz Henrique explica que a solução que a TelComp vislumbra, em conformidade com seus norteadores, é uma concorrência saudável, com as empresas compartilhando infra-estrutura. “A própria União Internacional de Telecomunicações (UIT) divulgou relatório onde recomenda este compartilhamento, sendo inovadoras e mais eficientes. A regulação do setor deve estar ainda mais voltada ao fomento da competição, como forma de estimular as empresas a investir de modo produtivo, gerando melhores soluções aos clientes, com melhoria de preços e qualidade”.
“No âmbito da discussão de mudanças no marco regulatório no setor de Telecom, as propostas de desagregação de redes, separação funcional das concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) Local e precificação de elementos de rede por modelos de custos são incentivos à concorrência no setor, aumentando a competição e a base de clientes de todos os serviços de telefonia”, acrescentou Luiz Henrique. O executivo da TelComp disse também que existe uma grande demanda reprimida por serviços de telecomunicações que pode ser atendida por empresas de Telecom, se os preços e a qualidade dos serviços melhorarem.
Marcelo Boralli diz que inovação é a palavra chave para driblar a crise de 2009. “A DHC, por exemplo, lançou uma linha de produtos virtuais, onde o cliente reduz a utilização dos servidores físicos em seus projetos e ao mesmo tempo recebe um melhor nível de serviço. Com esse produto, o cliente paga exatamente pelo que ele necessita, sem super dimensionamento (subutilização de recursos) de infra-estrutura, permitindo o pagamento quando realmente for utilizar os recursos”, explica . Boralli diz que o setor deve otimizar sua estrutura para ter mais controle, visibilidade e agilidade em seus processos, reduzindo assim seus custos, incertezas e riscos.
TI e Telecom em 2009
O consenso é de que nenhuma economia ficará imune à crise econômica mundial, entretanto, o setor de TI e Telecomunicações, caso haja uma retração na economia brasileira, poderá ocupar uma posição diferenciada, já que teria condições de oferecer e gerar soluções para outros segmentos da economia. Vale lembrar que o setor de Telecom, por exemplo, vem no embalo de grandes realizações. O ano de 2008 foi marcado pelo crescimento vertiginoso da banda larga, pela ampliação das redes fixas e pelo início da prestação do serviço de banda larga através da utilização das redes móveis e de TV por assinatura.
Fonte: Odisseu
