A era Zetabyte

3 dezembro 2008

A Cisco System inaugurou na segunda semana de novembro o que chama de “Zettabyte Era”, uma nova geração de dispositivos de rede que vai acompanhar a demanda do mercado por processamento, transmissao e armazenamento de informapao multimedia. A fabricante acredita que, corn as novas aplicagoes de video e o aumento exponencial do volume de dados, os provedores de servipos irao rapidamente demandar dispositivos corn performance superior a petabytes ou mesmo exabytes.

O Aggregation Services Router (ASR) 9000 ainda nao tern data para chegar ao mercado, mas sinaliza uma tendencia irreversivel de transporte de alto volume de informapao. 0 produto ja esta sendo testado por lideres no provimento de servipo de comunicapao nos Estados Unidos e na Europa, em linha corn uma tendencia de aumento exponencial do trafego global de informapao nas redes IP que, segundo a Cisco, crescera cerca de 50% ate 2012, exigindo uma infra-estrutura capaz de suportar urn trafego 522 exabytes por ano, o equivalente ao download de 125 bilhOes de filmes em DVD por mes.

O cenano pode ser ainda ficticio, mas quando a Cisco, provedora de infra-estrutura das principals redes de comunicacao do mundo se movimenta, e impossivel ignorar. Ate porque ha outras movimentapoes no mesmo sentido. A area de data centers e urn dos segmentos que ja se prepara para a mudanga de comportamento do

usuario. Vern promovendo diversos investimentos, primeiro para otimizar recursos e se adequar a era da TI verde depois porque sabe que precisara, corn crise financeira mundial ou nao, prover urn service) de qualidade, para uma grande e farta populapao de usuarios.

Padrao de consumo

Nesta legiao, entenda-se, predominam as corporagoes. Gilberto Mautner, vice-presidente de tecnologia E novos negecios da Locaweb, diz que a capacidade de transmissao de informapao da empresa dobra a cada 12 meses. “E urn padrao que vem se repetindo ha 8 anos. Em outubro de 2009, teremos o dobro do trafego atual, mesmo corn a crise”, sentencia.

A mesma Locaweb anunclou, no final de agosto, a compra de urn imovel de 18,7 milhoes de reais para acomodar seu novo data center, se antecipando a uma necessidade futura dos clientes, que apesar de ser de medic) prazo, ja exige alguns cuidados e preparos, uma vez que as empresas estao, agora, convencidas da seguranpa e da reducao de custos que o outsourcing de urn data center pode prover.

“Literalmente esgotou a capacidade das empresas de administrar a configuragao, a manutengao e ainda gerenciar os data centers internamente”, aposta Mautner. Segundo ele, um movimento tambem provocado pelo aumento da complexidade dos ambientes. Mesma opiniao compartilhada por Marcelo Boralli. diretor de marketing e novos negocios da DHC, empresa que cresce ao ritmo de 30% a 35% ao ano: “clientes que no passado

tinham habito de comprar equipamentos e enviar para o

data center estao pedindo proposta de hosting”, observa.

Novo foco

A DHC possui 115 clientes, cada um com13 servidores em media, e a maioria hospedando aplicapoes de missao critica, onde o cliente busca disponibilidade e performance. “Sao varios web servers e application servers”, diz Boralli, para quem o crescimento do setor se da por dois caminhos: novos clientes e aplicações cada vez mais criticas.

Mantenao a traagao ae clientes corn grandes operagoes na internet — a empresa teve entre os primeiros clientes a entao Americanas.com (hoje B2VV) — a DHC foe escolhida para hospedar tambem a infra-estrutura tecnologica do site de e-commerce do Magazine Luiza, uma das maiores redes de varejo do pals. Reconhecendo as oportunidades de crescimento do e-commerce para os proximos anos, a rede buscou no mercado de TI urn parceiro focado em infra-estrutura e pronto para prover, alem dos servigos de hosting, um suporte corn flexibilidade, agilidade e experiencia tecnica.

No inicio do ano a empresa tinha a expectativa e crescer no minimo 40% no ano, atingiu o objetivo no comego de outubro e deve fechar o periodo corn algo em torno de 45%. 0 crescimento, segundo o diretor da companhia, ocorre em duas frentes: na base de clientes e em novas aquisigoes, algo como 60%-40%, respectivamente. “A demanda continua boa, apesar da crise financeira global, que se desencadeia como domino. Enxergamos difculdades de alguns clientes, mas o mercado de data center e prestagao de servipos de TI continuam aquecidos”, revela Boralli.

A certeza de fartura do executivo advem tambem do crescimento do ticket medic) de cada cliente, que em cinco anos hospedava algo em torno de seis servidores, saltou para 10 e esta em 13 equipamentos. Ha urn mes, a empresa langou urn pacote de servidores virtualizados, o V-Care, a partir do qual o usuario ao inves de comprar urn servidor fisico, adquire urn virtual.

Alternativas

“Em alguns casos, urn pequeno servidor pode ainda ser grande para o cliente”, pontua Boralli. A solugao DHC cloud computing, auxilia projetos corn perfil reduzido explorando a tecnologia de computador ern nuvens, onde consegue vender servidor corn menor capacidade de processamento, mas corn toda a disponibilidade da

plataforma VMware.

Essas maquinas, segundo Boralli, sao mais simples e, portanto, orientadas a uma demanda de clientes que queiram orientados a pregos e que nao precisam de urn elevado poder de processamento. A solugao, segundo a DHC, reduz entre 30% a

Nn

Ocupagao

A capacidade ociosa da Alog, aproximadamente 1,5 andar, nao assusta. Ao contrano, acende a luz de atengao para a necessidade de investimento em novas instalapoes, assim come ocorre com a Locaweb, a DHC, a Diveo e outros players deste setor. “Este espago sera preenchido em 18 a 24 meses, dependendo da velocidade da economia”, diz Marcos Moraes, vice-presidente da Alog, ao relatar os motives da construgao. 0 movimento de consolidagao e virtualizagao de servidores, segundo ele, e uma tentativa de aumentar a rentabilidade por metro quadrado, mas nao elimina a necessidade de aquisigao de mais espapo.

Moraes tambem pactua corn a probabilidade de crcimento de 40% do mercado em 2008/2009, e diz que este tern sido o crescimento historico da Alog no passado recente, apesar de o numero de clientes crescer em velocidade urn pouco menor do que esta. “De 55% a 60% do nosso crescimento sae de novos clientes. Mas ha uma expansao expressivo dentro da base atual”, pontua.

Ele acredita que as grandes empresas vao intensificar o movimento de terceirizagao de data center, principalmente neste memento de crise financeira, onde sera preciso otimizar recursos. “A onda das 500 maiores e fazer o outsourcing completo, inclusive da infra-estrutura,

ainda esta por vir. A 0i, o Banco do Brasil e a Petrobras estao construindo as data centers proprios, mas tirando meia duzia de empresas, as demais virao para o outsourcing”, aposta Moraes, ao dizer que ainda predomina entre os seus clientes as pequenas e medias empresas.

Aplicacoes de demanda

Alem de identificar aumento no 10mero de clientes, a Alog acredita em ama expansao do volume de dados nos data centers, provocado pelas aplicagoes multimedia e pelo use de novos recursos de comunicagao na nternet e dos recursos da web 2.0. Jrna avaliagao que exigiu investimentos de 4,5 a 6 milhoes de reais em 2007; deve consumir algo entre 7 milhoes e 8 milhoes de reais em 2009 (sendo 40% 3m infra-estrutura basica e 60% em 3ervidor e infra-estrutura de rede).

Marco Americo Deneszczuk Antonio, vice-presidente executive de data center da Diveo Brasil, analisa que inicialmente a demanda dos clientes se dava por Dollocation ou hosting de servidores. Agora, a tendencia esta mais focada na Ramada de aplicagao, onde o cliente Dontrata sob demanda, nao se Dreocupando corn o servidor.

Esse comportamento exige uma nudanga na oferta do service e na nanutengao dos sistemas. “Precisarnos Donhecer a aplicagao, manter pessoas Dapacitadas ao manuseio para

aplicagao; e como elas sae montadas am ambientes compartilhados, operar willing, aprovisionamento, seguranga, ;tc.”, relata, ao dizer que mesmo corn astas novas habilidades o custo total do ;ervigo permanece entre 40% e 50% nenor do que a oferta de servidores dedicados, mesmo dentro da Diveo.

For exemplo, o outosurcing do Exchange, da Microsoft. Se for montar ama solugao dedicada, corn o mesmo iivel de servigo que o compartilhado, vai Dustar 40% mais do que o Dompartilhado. Na pratica nao vale a Dena porque a seguranga existe e ierifica que os clientes ficam bastante iatisfeitos corn o service e corn o prego inal”, explica Antonio, ao revelar que a 3mpresa encerrara o ano com mais de 100 clientes de Exchange e mais de 50 nil usuarios do sistema, no modelo de erceirizapao da aplicagao. Este ano, a Diveo investira algd como de 22 milhoes de dolares no data center.

Fonte: TI Inside Online – www.tiinside.com.br